Diz o ditado popular que depois da tempestade vem a calmaria. Mas se tratando de mercado de saúde no Brasil é possível afirmar que depois da calmaria vem a tempestade.
O reajuste de planos de saúde no Brasil pode marcar uma alta recorde como nunca visto antes. Segundo dados históricos da agência reguladora ANS, o maior percentual já autorizado foi de 13,57% no ano de 2016.
Segundo os levantamentos realizados pela FenaSaúde (Federação de Saúde Suplementar) projeta-se para o ano de 2022 um aumento na casa de mais de 16%. De acordo com a própria entidade, as projeções têm como base as variações de despesas assistências, eficiência da operadora e principalmente a inflação médica.
O impacto para a alta do reajuste tem a relação fundamental com preços de medicamentos, insumos farmacêuticos, forte retomada dos procedimentos eletivos e também com a inclusão de novos procedimentos autorizados pela ANS.
Um dado importante divulgado pela Abrange (Associação Brasileira de Planos de saúde) afirma categoricamente que as despesas em 2021 foram muito maiores em comparação ao anos de 2020, por causa da taxa de ocupação nos hospitais em função do COVID, que esgotaram o sistema.
Outros fatores influenciam para que o reajuste se torne os maiores da história, com a retomada das atividades no pós pandemia, aliado ao surto de COVID que se instalou em cidades da China, principalmente em Shangai, a alta demanda de produtos no mundo inteiro, atrelada a grande parte dos insumos médico-hospitalares utilizados no Brasil, fazem que passamos a ter medicamentos e equipamentos mais caros.
É fato que estamos vivenciando um ciclo de inflação alta e isso também contribui para os aumentos. Porém, representa apenas 20% da fórmula de reajuste. Por outro lado, entra nessa equação os índices de sinistralidade que é medido no período.
O último levantamento indica que no Brasil existem aproximadamente 49 milhões de beneficiários de planos de saúde, sendo que desde apenas 9 milhões são oriundos de planos de saúde individual. É importante ressaltarmos que os planos individuais acabam sendo um indicativo de quanto vai ser o reajuste para os planos coletivos, historicamente os reajuste são superiores ao que a ANS autoriza. Por exemplo, se o reajuste for de 15% para os planos individuais, podem se imaginar que planos coletivos possam chegar a patamares superiores a 30%.
A ANS divulgou que no ano de 2021, o reajuste de planos coletivos com mais de 30 clientes foi de 5,55%, enquanto os individuais tiveram queda de 8,19%. Os planos coletivos com menos de 29 clientes tiveram reajuste médio de 9,84%
Esses reajustes infelizmente não são fundamentados em bons argumentos e não existe poder de barganha entre quem contrata o plano de saúde e a operadora, porém, ressalto a importância do profissional de seguros que intermedia o contrato com a seguradora e busca oportunidades no intuito de negociação e reajustes mínimos possível para os beneficiários do plano de saúde.
